sexta-feira, 26 de junho de 2009

Barroco

Texto

O poema abaixo foi escrito no século XVII. É um soneto: dois quartetos e dois tercetos. Dedicados aos afetos e lágrimas derramadas na ausência da amada. Observe a análise do texto que mostra algumas características do estilo barroco.

SONETO

Ardor em firme coração nascido,
pranto por belos olhos derramado;
incêndio em mares de água disfarçado;
rio de neve em fogo convertido:

Tu, que em um peito abrasas escondido;
tu, que em um rosto corres desatado:
quando fogo, em cristais aprisionado;
quando cristal em chama derretido:

Se és fogo, como passas brandamente?
Se és neve, como queimas com porfia?
mas aí, que andou Amor em ti prudente!

Pois, para temperar a tirania,
como quis que aqui fosse a neve ardente,
permitiu parecesse a chama fria. (Gregório de Matos)

Texto em estudo

1- Em que verso da 1ª estrofe o eu-lírico expressa a causa de suas lágrimas?Transcreva-o.

Resp. Verso 2 "Pranto por belos olhos derramado"

2- Nessa mesma estrofe, as lágrimas aparecem representadas por metáforas. Quais são elas?

Resp. "incêndio", "mares de água", "rio de neve", "fogo".

3- Essas metáforas formam pares de antítese. Indique os pares.

Resp. Incêndio/mar; neve/fogo.

4- A quem (ou a quê) o poeta se dirige no segundo quarteto?

Resp. Ás lágrimas derramadas na ausência da amada ou aos afetos que tem por ela.

5- O sentimento do eu-lírico é contraditório.
Essa contradição aparece marcada por outrs duas imagens no 2º quarteto. Quais são elas?

Resp. Fogo aprisionado em cristal/ cristal derretido em chama; abrasas escondido/ corres desatado.

6- No 1º terceto,o caráter contraditório é reforçado entre o que esse sentimento é na realidade e a maneira como é expressado. Destaque os substantivos que representam esse sentimento na sua ausência e os termos correspondentes à expressão dos mesmos.

Resp. Fogo; passa brandamente / neve: queima com porfia.

7- O oxímoro, figura empregada pelos escritores dessa época, consistia em reunir contradições. Cite os dois oxímoros do texto.

Resp. "neve ardente". "chama fria"

Conclusão

A idéia central está na dificuldade do ser humano conciliar o sentimento amoroso com sua expressão. Essa dificuldade o autor resolve a partir de antítese; no começo uma , oposição entre calor e frio, o fogo e água, o que sente e o que expressa. Evoluindo para os oxímoros finais, os opostos: neve ardente e chama fria. O poema demonstra os conflitos do homem dessa época. A busca de uma síntese entre contraditórios é a principal característica do pensamento no período barroco.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Meus oito anos

Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
Que anor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras,
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais!

Como são belos os dias
Do despontar da existência!
Respira a alma inocência,
Como perfumes a flor;
O mar é lago sereno,
O céu um manto azuldo,
O mundo um sonho dourado
A vida um hino de amor!

Que auroras, que sol, que vida
Que noites de melodia,
Naquela doce alegria,
Naquele ingênuo folgar!
O céu bordado de estrelas,
A terra de aromas cheia,
As ondas beijando a areia,
E a lua beijando o mar!

Oh! dias de minha infância,
Oh! meu céu de primavera!
Que doce a vida não era
Nessa risonha manhã!
Em vez das mágoas de agora,
Eu tinha nessas delícias
De minha mãe as carícias
E beijos de minha irmã!

Livre filho das montanhas,
Eu ia bem satisfeito,
Da camisa aberto o peito,
Pés descalço, braços nus,
Correndo pelas compinas
À roda das cachoeiras,
Atrás das asas ligeiras
Das borboletas azuis!

Naqueles tempos ditosos
Ia colher as pitangas,
Trepava a tirar as mangas,
Brincava à beira do mar;
Rezava às Ave-Marias,
Achava o céu sempre lindo,
Adormecia sorrindo
E despertava a cantar!

Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida,
Que os anos não trazem mais!
Que amor, que sonhos, que flores.
Naquelas tardes fagueira,
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais!

Casimiro de Abreu (1837-1860)

quarta-feira, 17 de junho de 2009

A imagem de Guevara gerou o pai de todos os pôsteres


Ernesto Che Guevara tinha 31 anos. O fotígrafo cubano Alberto Korda trabalhava para o diário Revolución. As duas trajetórias convergiram para um palanque em Havana horas depois do atentado contra o barco La Coubre, em março de 1960. Fidel Castro convocara a população para um ato público de luto pelas mortes na orla. Jean-Poul Sartre e Simone de Beauvoir estavam em Havana e foram ao comício. Munido de uma máquina fotográfica Leica, Korda flagrou os oradores. Depois, percorreu a tribuna com a lente. E encontrou Che. Korda fez duas chapas. Revelou-as e gostou do resultado, mas o Revolución arquivou o negativo, que durante sete anos ficou na gaveta. No verão de 1967, o editor italiano Giangiacomo Feltrinelli foi a Cuba em busca de imagens para um livro e descobriu o registro de Korda. Em outubro, com a morte de Che, na Bolívia, o olhar triste do revolucionário começou a girar o mundo. É uma das imagens mais produzidas no século XX.

terça-feira, 16 de junho de 2009

Ouço o trovão se aproximando


Trecho do diário de Anne Frank

Bem no fundo, os jovens são mais solitários do que os adultos. Li isso em algum livro e ficou na minha mente. Pelo que posso dizer, é verdade. Então, se você está se perguntando se ficar aqui [no anexo secreto] é mais difícil para os adultos do que os jovens, a resposta é não, com certeza os mais velhos têm uma opinião formada sobre tudo, são seguros de si e de seus atos. Para nós, jovens, é duas vezes mais difícil manter nossas opiniões numa época em que os ideias são estalhaçados e destruídos, quando o pior lado da natureza humana predomina, quando todo mundo duvida da verdade, da justiça e de Deus. (...) Para mim, é totalmente impossível construir a vida sobre um alicerce de caos, sofrimento e morte. Vejo o mundo ser lentamente transformado em uma selva, ouço o trovão que se aproxima e que, um dia, irá nos destruir também, sinto o sofrimento de milhões.

Rev. Época 20/12/1999

Guerra Mundial: flagelo da humanidade

Policiais nazistas prendem Anne Frank (4/8/1944)

Por volta das 10 da manhã daquela sexta-feira, agentes da polícia de segurança alemã descobriram o esconderijo de Anne Frank no nº 263 da Rua Prinsengracht, em Amsterdã. Desde o dia 6 de julho de 1942, a garota e outras sete pesoas, entre elas o pai, Otto, a mãe, Edith, e a irmã mais velha, Margot, viviam escondidas em um anexo secreto para escapar da prisão nazista. Os dias de exílio foram descritos com detalhes no diário da menina, que completara 13 anos quando se escondeu com a família. Depois de descobertos, os prisioneiros foram enviados a Westerbork, um centro de triagem de judeus no norte da Holanda, e em 3/9 embarcaram no último trem que partiria da Holanda para o campo de concentração de Auschwitz, na Polônia. Anne e sua irmã morreram de tifo no campo de Bergen-Belsen, em março de 1945, poucas semanss antes da chegada dos aliados. O diário foi publicado pela primeira vez em 1947.

Filósofos e seus pensamentos

Podemos facilmente perdoar uma criança que tem medo do escuro, a real tragédia da vida é quando os homens têm medo da luz. (Platão)

São filósofos verdadeiros aqueles que gostam de contemplar a verdade. (Platão)

O homem é a medida de todas as coisas (Pitágoras)

Os amigos têm tudo em comum, e a amizade é a igualdade.(Pitágoras)

Os homens que sempre falam a verdade são os que mais se aproximam de Deus. (Pitágoras)

O riso afasta o medo e quem não tem medo tem fé. (Pitágoras)

A Evolução é a Lei da Vida, o Número é a lei do Universo, a Unidade é a Lei de Deus. (Pitágoras)

Se o que tens a dizer não é mais belo que o silêncio, então cala-te. (Pitágoras)

A coisa de maior extensão no mundo é o universo, a mais rápida é o pensamento, a mais sábia é o tempo, a mais cara e agradável é realizar a vontade de Deus. (Tales de Mileto).

Filosofia. Tales de Mileto

Um sofista se aproximou de Tales de Mileto, um dos sete sábios da Grécia Antiga e tentou confundí-lo com as perguntas mais difícies. Porém o sábio esteve à altura da prova, respondendo a todas sem vacilar.
1 - Qual é a coisa mais antiga?
- Deus, porque sempre existiu

2 - Qual é a coisa mais formosa?
- O universo, porque é obra de Deus.

3 - Quaal é a maior de todas as coisas?
- O espaço, porque contém toda a criação.

4 - Qual é a coisa mais constante?
- A esperança, porque permanece no homem depois que haja perdido tudo.

5 - Qual é a melhor de todas as coisas?
- A virtude, porque sem ela não existe nada de bom.

6 - Qual é a mais rápida de todas as coisas?
- O pensamento, porque em menos de um minuto pode-se voar até o final do universo.

7 - Qual é a mais forte de todas as coisas?
- A necessidade, porque faz com que o homem enfrente todos os perigos da vida.

8 - Qual é a mais fácil de todas as coisas?
- Dar conselhos.

9 - Qual é a mais difícil de todas as coisas?
- Conhecer a si mesmo.

Nesta nona pergunta o sábio disse um paradoxo, seu interlocutor talvez nunca tenha entendido e para a maioria das pessoas terá um sentido superficial.

Sem preconceitos

Minha foto
Sou muito tímida, cientista social, professora aposentada,casada, muito sacrificada, humilhada,muito fraca. Gosto de compartilhar tudo que sei, pois foi Deus que me deu, por isso gosto de ajudar.

Educar brincando